quinta-feira, 30 de junho de 2011

Presidente do Chile anuncia cortes no fianciamento estudantil e os estudantes entram em choque com a polícia

Um dia isso iria começar acontecer, o povo querendo estudar para poder trabalhar e o governo começando a barrar este ingresso no mercado de trabalho. Não vai demorar muito acontecer isso aqui no Brasil, fiquem no aguardo.

Em Santiago no Chile ao menos 80 mil pessoas foram nesta quinta-feira às ruas de Santiago para exigir melhoria na educação pública do Chile, num dos maiores protestos dos últimos 20 anos, que culminou com 38 detidos e violentos choques com a polícia.

Os manifestantes se reuniram na Plaza Italia e seguiram até o Ministério da Educação e o Palácio Presidencial de La Moneda, em um movimento que começou de maneira pacífica mas que nas últimas horas descambou em atos de vandalismo e enfrentamentos com a polícia.

Os distúrbios deixaram 38 detidos e 20 policiais feridos, "com contusões e cortes no corpo", explicou à imprensa o intendente de Santiago, Fernando Echeverría, que estimou a presença de 80 mil pessoas no protesto.

"Foi algo histórico, desde o retorno da democracia não se via algo assim", disse Giorgio Jackson, um dos líderes estudantis.

"Esperamos que as autoridades estejam à altura do desafio que representa, hoje em dia, recuperar um sistema público de educação. Até agora não vimos nenhum medida transformadora nesse sistema e, portanto, continuaremos pressionando", disse Jackson.

O presidente Sebastián Piñera se pronunciou sobre o assunto afirmando que a educação chilena não será melhorada com marchas e assegurou que anunciará uma proposta que cobrirá vários pontos pedidos pelos estudantes.

"As manifestações são legítimas, mas a educação só será melhorada com trabalho, com estudo, com responsabilidade e com compromisso", disse Piñera.

Houve saque a uma loja de telefonia celular e uma tentativa de ocupar a embaixada do Brasil em Santiago, que fica em frente ao Ministério da Educação, no centro da cidade e ponto nevrálgico da marcha, onde um grupo de manifestantes agrediu a polícia com paus e pedras, tentando atravessar as barreiras de proteção.

Os policiais revidaram lançando bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água contra os manifestantes.

Apesar dos problemas, a manifestação conseguiu uma grande representatividade. Participaram estudantes e professores de colégios e universidades públicas e privadas, que uniram sua voz para exigir um maior aporte fiscal à educação, que hoje alcança 4% do PIB, contra os 7% do recomendado pela Unesco.

Em várias partes do trajeto, a manifestação se assemelhou a uma grande festa popular, com centenas de manifestantes dançando ao som de tambores e trombetas. Houve ainda palhaços, pernas de pau e bonecos gigantes com a cara do presidente Sebastián Piñera e de vários outros políticos.

Durante a passeata foram levadas réplicas em cartolina dos tanques de jatos d'água com os quais a polícia dispersa os protestos e um caixão gigante que representava a morte do sistema educacional chileno, cujo modelo foi implementado durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Segundo o ministro da Educação, Joaquín Lavín, ele mesmo poderia ter ido à marcha, se ela fosse sobre a educação, "mas hoje temos um tema muito mais ideológico", disse o funcionário.

O Chile registra 3,5 milhões de estudantes do primário ao ensino médio e um milhão na educação superior.

O conflito se arrasta por mais de três semanas, com mais de 200 colégios e 30 universidades ocupadas pelos alunos.

Fonte: AFP